Apesar de uma redução de cerca de 90% das notificações das
arboviroses (dengue, chikungunya e zika) em Pernambuco, em relação ao
mesmo período do ano passado, o Governo do Estado continua
intensificando ações para o enfrentamento das doenças causadas pelo
mosquito Aedes aegypti.
Nesta terça-feira (28/11), foi lançado na sede
da Secretaria Estadual de Saúde (SES), às 14h, no bairro do Bongi, o
Plano de Enfrentamento das Arboviroses 2018.
O documento traz ações que
serão desencadeadas e intensificadas para o controle das doenças nos
eixos de Gestão, Vigilância Epidemiológica, Controle Vetorial, Atenção à
Saúde, Apoio Diagnóstico e Mobilização Social, além de estratégias para
implantação da vigilância da febre amarela em primatas e humanos.
"A intenção do Plano é melhorar a
organização da assistência aos pacientes e promover a capacitação em
todos os níveis de Atenção à Saúde, apoiando os municípios,
intensificando as ações de vigilância, de comunicação, educação em saúde
e mobilização social. A contínua redução dos números é uma meta
importante para o próximo ano", comenta o secretário estadual de Saúde,
Iran Costa.
Entre as novidades para 2018, está a
aquisição de um aplicativo, em parceria com a secretaria de Saúde do
Mato Grosso do Sul, para auxiliar o trabalho dos agentes de endemias.
Por meio do sistema on-line instalado nos smartphones, os agentes
municipais irão fornecer, em tempo real, os dados de cada imóvel
visitado e a existência de criadouros, além de registrar, com fotos,
para que ações imediatas sejam tomadas, os pontos críticos e depósitos
de água não eliminados.
O sistema ainda permite o acompanhamento do
índice de infestação predial e o mapeamento dos imóveis com moradores
que apresentam sintomas das arboviroses - tudo isso sem a necessidade do
uso de papel. As informações ficarão disponíveis para o município e o
Estado terá acesso aos dados de todas as cidades que aderirem ao novo
sistema, que está em uso no Mato Grosso do Sul desde 2015.
A Secretaria Estadual de Saúde também
já está elaborando, juntamente com uma equipe multiprofissional, um
Protocolo de Vigilância dos Óbitos Suspeitos por Arboviroses.
O objetivo
é padronizar as informações para a investigação das mortes suspeitas e,
com isso, agilizar o fechamento dos casos.
Já sobre o diagnóstico
laboratorial, a SES está fechando uma parceria com o Laboratório de
Imunopatologia Keizo Asami (LIKA), da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), para a implantação do diagnóstico laboratorial post-morten de
óbitos suspeitos de arboviroses (imunohistoquímica). Hoje, esse tipo de
diagnóstico é feito no Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará.
"O diagnóstico laboratorial positivo
dos óbitos, para qualquer uma das arboviroses, não necessariamente
confirma esta arbovirose como causa do óbito.
Esta avaliação, para
confirmação ou descarte, depende de minuciosa investigação domiciliar e
hospitalar do óbito e das informações complementares dos aspectos
clínicos epidemiológicos do paciente. Todos esses dados subsidiam a
discussão de cada caso no Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por
Dengue e outras Arboviroses e por isso a importância deste Comitê e da
continuidade das ações", avalia a gerente de Controle das Arboviroses da
SES, Claudenice Pontes.
Dentro dos esforços da SES para
interiorização do diagnóstico, o Laboratório Central de Pernambuco
(Lacen-PE) e todas as 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres) já fazem,
atualmente, a análise laboratorial (sorologia) para confirmar ou
descartar os casos de dengue e chikungunya.
O Lacen também faz a análise
(PCR) para dengue, zika e chikungunya. Recentemente, também incluiu a
sorologia para zika, priorizando as gestantes e os casos graves. Para
mobilização da sociedade, a SES fará campanhas educativas focadas nos
alunos da rede estadual de ensino. Para isso, serão distribuídos gibis
que abordam, de forma lúdica, formas de evitar a proliferação do
mosquito Aedes aegypti.
"Foram traçados indicadores e metas a
serem monitoradas, além da definição dos responsáveis de cada setor da
Secretaria de Saúde do Estado na execução do plano, de acordo com o
objeto de cada área técnica.
Não restam dúvidas de que é necessário um
grande esforço intersetorial e interinstitucional, aliado ao
comprometimento maciço da população, bem como a continuidade de um
conjunto de ações já realizadas na rotina, para que se consiga
efetividade na execução deste plano e redução no impacto da dengue e
outras arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti no Estado",
pontua a secretária executiva de Vigilância em Saúde da SES, Luciana
Albuquerque.
DADOS -
Em 2017, até o dia 25 de novembro, Pernambuco notificou 15.321 casos de
dengue (4.658 confirmados), 4.498 de chikungunya (1.013 confirmados) e
722 de zika. Também foram notificados 113 óbitos, com 3 confirmações (2
para dengue e 1 para chikungunya).

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