Valor Econômico divulga dados da CNM sobre crise nos Municípios
Mais de 26% dos Municípios estouram gasto com pessoal diz
matéria do Valor Econômico, a partir de estudo da Confederação Nacional
dos Municípios (CNM), divulgada nesta terça-feira, 3 de outubro. O
texto aponta: as Prefeituras que prestaram informações a Secretaria do
Tesouro Nacional (STN) tinham estourado o limite fixado pela
Constituição para os seus gastos com pessoal ativo e inativo no fim de
2016.
Dos
4.965 Municípios que prestaram informações, 1.297 estavam com suas
despesas com o funcionalismo acima do limite constitucional de 60% da
receita corrente líquida (RCL). A Confederação utilizou dados das
Finanças do Brasil (Finbra) para chegar a esse número. Além disso, 28,5%
dos Municípios estão em situação emergencial, pois as despesas com
pessoal ficaram entre 51% e 54% da RCL e 28,5% dos Municípios em
situação limítrofe, com as despesas entre 46% e 51% da RCL.
Mesmo
assim, o estudo mostra que ocorreu uma redução no ritmo de crescimento
das despesas com pessoal dos Municípios. Em 2016, elas aumentaram 5,43%,
em termos nominais, na comparação com o ano anterior, ficando,
portanto, abaixo da inflação de 6,3%. Em 2015, elas tinham crescido
13,42%, em termos nominais, na comparação com 2014.
DadosO presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, recebeu o repórter do Valor para falar sobre os números. Ele explicou que a principal dificuldade enfrentada pelos prefeitos decorre dos numerosos programas federais executados pelos Municípios. "É preciso contratar pessoas para executar os programas, contratar professores, médicos, psicólogos e outros profissionais, o que compromete muito as receitas municipais", afirmou.
Para
agravar a situação, Ziulkoski disse que os recursos repassados pela
União para os programas não são corrigidos pela inflação, o que reduz os
valores reais ao longo do tempo. Ele sugere que a situação no próximo
ano ficará pior por causa do teto de gastos, que limitou o aumento das
despesas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). “A
correção incidirá sobre repasses que já estão defasados", explicou.
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