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Governador comandou, nesta segunda-feira, reunião com as Frentes Parlamentares do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa de Pernambuco para debater o assunto
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Com o objetivo
de promover um debate democrático e transparente em defesa do “Velho
Chico” e contra a privatização da Companhia Hidroelétrica do São
Francisco (Chesf), o governador Paulo Câmara reuniu, nesta segunda-feira
(02.10), no Palácio do Campo da Princesas, integrantes das Frentes
Parlamentares do Congresso Nacional, da Assembleia Legislativa de
Pernambuco e de entidades que militam na defesa da empresa. Durante o
encontro, o chefe do Executivo fez alertas sobre o processo e ponderou
que, no momento que vive o País, o Governo Federal não pode aprovar um
procedimento tão importante sem o devido diálogo, entendimento e clareza
de como será feito e as potenciais consequências que podem atingir
negativamente os brasileiros.
“Até agora, o
que não temos dúvidas é que esse processo vai sim aumentar a conta de
luz dos brasileiros e fazer com que não tenhamos mais controle sobre a
utilização do rio São Francisco. Enviamos uma carta assinada pelos nove
governadores do Nordeste, protocolada no dia 5 de setembro, onde
mostramos nossas preocupações e pedimos diálogo. Até agora, não
recebemos nenhuma resposta. E isso mostra claramente que nossas
preocupações estão corretas. E, por isso, a gente não pode baixar a
cabeça. Temos que mostrar ao Brasil os riscos que um processo como esse,
da forma que está sendo feito, de um setor tão importante e
estratégico, pode gerar para as futuras gerações de brasileiros nos
próximos 30 anos”, destacou, reforçando: “O que está se vendo muito
claramente é a intenção de fazer essa venda para tapar o rombo das
contas públicas, e isso vai afetar a rede econômica nos próximos anos
com o aumento da conta de energia elétrica. E, novamente, quem vai pagar
é o povo”.
Presidente da
Frente Parlamentar Nacional em defesa da Chesf, o deputado Danilo Cabral
também criticou a falta de diálogo do Governo Federal e pediu que seja
dado à empresa o mesmo tratamento dado em relação à Reserva Nacional de
Cobre e Associados (Renca). “O Governo recuou em relação à Renca porque
viu que a sociedade estava mobilizada a enfrentá-lo. Então, o mais
importante, agora, é fazer essa mobilização em defesa da Chesf e lutar
pela preservação daquilo que é um patrimônio dos nordestinos. Uma
empresa que completa, em 2018, 70 anos de história. E como já defendia o
ex-governador Miguel Arraes, a Chesf é o maior e o mais importante
investimento público feito na história do Nordeste, que induziu a
chegada da cidadania através do acesso à energia e à água para 54
milhões de nordestinos. Não é a primeira vez que tentam privatizar a
Chesf, e, como já aconteceu, será a mobilização do povo que vai barrar
essa privatização”, disse.
O deputado
ressaltou ainda que uma reunião entre a Frente em defesa da Chesf com a
nova procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, foi agendada para o
próximo dia 19.
Também presente
na discussão, o vice-presidente da Frente Parlamentar Nacional em
defesa da Chesf, senador Humberto Costa, falou sobre a importância da
audiência para a disseminação da luta contra a privatização da
companhia. “A Chesf é fundamental para ações no campo social para muitas
cidades do Nordeste, e todos nós sabemos que a causa social não será
prioridade, em termos de continuidade, para a gestão privada. Sem falar
no papel que a companhia desempenha na pesquisa e no desenvolvimento
cientifico e tecnológico. E esses projetos e pesquisas de energia
alternativa, são pontos estratégicos também para a nossa região. E, por
tantos outros motivos, não podemos abrir mão desse patrimônio, que é
fruto do suor do povo nordestino e do povo brasileiro”, ressaltou.
O deputado
Lucas Ramos, presidente da Frente Parlamentar Estadual, defendeu que a
Chesf não pode ser usada para resolver o problema financeiro do País.
“Com o objetivo de fazer caixa, estão colocando à venda um patrimônio
que foi construído há mais de 50 anos, e que ajudou a desenvolver, não
só Pernambuco, onde está sediada, mas todo o Nordeste. E por se tratar
de um sistema elétrico interligado, serviu também ao Brasil durante
muitos e muitos anos, gerando lucro e criando oportunidades na vida das
pessoas”, salientou.
Para o
presidente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sidurb/PE), José
Gomes Barbosa, a privatização não respeita a vontade do povo. “Nós
estamos defendendo uma região. Estamos defendendo um rio, o único rio
perene do Nordeste, que traz desenvolvimento para o setor agrícola e
para milhares de famílias. Entregar um grande patrimônio do povo
nordestino, que é a Chesf, a grupos privados, que só querem o lucro, sem
ter o entendimento do povo, não pode acontecer, não vamos deixar
acontecer. E como já foi dito: mexeu com a Chesf, mexeu com o rio São
Francisco, eu viro carranca”, declarou.
Também
participaram do debate os deputados federais Creuza Pereira, Severino
Ninho, Luciana Santos e Tadeu Alencar; os deputados estaduais Lucas
Ramos, Isaltino Nascimento, Laura Gomes e Aluísio Lessa; o secretário
estadual da Casa Civil, Nilton Mota; e o ex-presidente da Chesf, José
Carlos Miranda. Também estiveram presentes Fernando Neves
(vice-presidente da Confederação Nacional dos Urbanitários), Raimundo
Maciel (presidente da Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste –
FRUNE), José Gomes Barbosa (Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco),
Ari Azevedo (Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Norte),
Flávio Uchôa (representante do Sindicato dos Eletricitários do Ceará),
Gilton Santos (representante do Sindicato dos Eletricitários de
Sergipe), Dafne Oreo (representante do Sindicato dos Urbanitários de
Alagoas), e Ademar de Barros (diretor Jurídico da União dos Vereadores
de Pernambuco – UVP).

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