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| Pelo andar da carruagem, a foto de Lula estará na urna eletrõnica |
Por/
elio gaspari
Qualquer previsão para o resultado do julgamento
de Lula no TRF-4, marcado para o próximo dia 24, será apenas um
palpite. No entanto, quem conhece o assunto assegura que, pelo andar da
carruagem, a fotografia de Lula estará na urna eletrônica em outubro.
Isso poderá acontecer mesmo tomando-se o mais duro dos resultados, 3 a 0
pela condenação, acompanhando-se o voto do relator.
Os recursos aos
tribunais de Brasília postergarão o fim do processo, e Lula poderá
receber votos, mesmo tendo sido condenado na segunda instância. Esse não
é um palpite, é o frio diagnóstico de pessoa capacitada a fazê-lo.
Admitindo-se que Lula seja derrotado, o jogo termina. Se ele ganhar,
continua, à espera do resultado de seus recursos, que terminarão no
Supremo Tribunal Federal. Nesse caso os 11 ministros do STF estarão
diante de uma situação histórica: suspender o mandato de um cidadão que
teve em torno de 50 milhões de votos e fez uma campanha apresentando-se
como vítima.
Em junho do ano passado o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por quatro votos contra três pela improcedência
das ações que pediam a cassação da chapa Dilma-Temer. Quem viu o
relatório demolidor do ministro Herman Benjamin ficou com a impressão de
que o presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, formou um bloco
decidido a não balançar o coreto das autoridades, pois o que estava no
pano verde era a deposição de Michel Temer.
Indo mais longe na máquina do tempo, chega-se ao dia 11 de novembro de
1955, quando o general Henrique Lott, ministro da Guerra até a véspera,
botou a tropa na rua e depôs dois presidentes, o que estava no exercício
interino (Carlos Luz) e o efetivo, que estava no hospital (Café Filho).
Quando Café Filho impetrou um habeas corpus ao Supremo Tribunal para
voltar ao palácio do Catete, a corte indeferiu o pedido. Pairava sobre o
tribunal a velha frase atribuída ao marechal Floriano Peixoto nos
primeiro anos da República: "E quem vai dar habeas corpus ao Supremo?"
Por mais que os processos e os recursos de Lula sejam emoldurados como
questões de direito, a cassação de um sujeito que ganhou uma eleição com
cerca de 50 milhões de votos (se ele ganhar) salta dos volumes da
jurisprudência para os livros de história. Indo-se numa direção ou na
outra, cai-se numa inédita encrenca.
Um especialista em legislação eleitoral, colocado diante dessa hipótese, diz que se pode chegar a uma situação
na qual os votos dados a Lula (um candidato declarado inelegível ou
mesmo preso) podem ser considerados nulos.
O problema muda de cara, mas
continua o mesmo. Na eleição de 2014 Dilma Rousseff teve 54,5 milhões de
votos e Aécio Neves, 51 milhões. Num puro exercício matemático,
admitindo-se que em outubro ocorra coisa parecida, o TSE proclamaria a
vitória do candidato que teve 51 milhões e informaria ao distinto
público que os votos nulos foram 59 milhões (os 54,5 milhões de Dilma
mais os 4,5 milhões efetivamente nulos). Piada.
Essa encrenca parte da premissa de que Lula seguirá como candidato até o
dia do juízo final. Isso não é necessariamente verdadeiro, ele pode ir
ao limite retirando seu nome na última hora, apontando para um poste.
Quem? Novomistério, mas, se os silêncios falam, o do ex-governador baiano Jaques Wagner é estrondoso.

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