Segundo
a superstição petista, Lula é um presidenciável favorito alvejado por
uma conspiração de delegados, procuradores, magistrados e jornalistas
para impedi-lo de retornar ao Planalto. Ele já foi condenado a nove anos
e meio de cadeia pelo juiz Sergio Moro. E teme amargar a confirmação da
sentença em segunda instância no dia 24 de janeiro. Mas seu drama terá
novos capítulos.
O Ministério Público Federal estima que Lula sofrerá
novas condenações na primeira instância. Dá-se de barato que pelo menos
uma delas, a ser prolatada em Brasília, ganhará as manchetes antes das
convenções partidárias que confirmarão os nomes dos candidatos à
Presidência.
Quer
dizer: além da sentença do TRF-4, que pode tornar Lula candidato
favorito a uma vaga no sistema prisional de Curitiba, empurrando-o para a
inelegibilidade, o pajé do PT terá os pés de barro iluminados por um
novo veredicto de primeiro grau. Um membro do diretório nacional do PT
disse ao blog que nada irá alterar a decisão do partido
de levar a candidatura de Lula às últimas consequências. “A estratégia
não será modificada por uma, duas ou três novas sentenças”, disse o
dirigente petista. “Já estamos roucos de tanto repetir que não existe
Plano B.”
Tomando-se
as certezas do PT ao pé da letra, o STJ concederia uma liminar para
manter Lula longe do xadrez e o debate sobre uma hipotética impugnação
da candidatura só seria travado no TSE em agosto. Lula cavalga seu
sentimento de invulnerabilidade sem se dar conta de que, mantido o
enredo, será um candidato precário, condenado a manter uma campanha
incerta, que o obrigará a cruzar um terreno minado por temas
radioativos: mensalão, petrolão, apartamento de praia, sítio de
veraneio, contas milionárias, tráfico de influência e palestras de
fancaria. Um candidato assim, com uma pauta tão envenenada, dispensa
conspirações.

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